sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Crise

- Ei, pisu. – uma letra cutucou a outra.
- Ai! – reclamaram.
- Fiquem quietos! – uma terceira ordenou. – Ela vai nos achar.
- Tá apertado aqui.
- Eu sei bem disso.
- Psiiiu! Ela tá vindo.
- Atchin! – uma delas espirrou. As outras a reprovaram com o olhar. Claramente irritadas.
- Vocês não sabem ficarem quietos?
- Chega pra lá.
- Esconde, esconde, esconde! Ela tá vindo.

Então todas as letras ficaram tensas aos ouvirem os passos se aproximarem. Espremeram-se ainda mais naquela caixinha dourada. Algumas até prendiam a respiração e fechavam tanto os olhos que ruguinhas surgiam no canto deles.

- O que ela tá fazendo?
- Não sei.
- Abre um pouco ai pra gente ver.
- Acho que ela tá triste.
- Mas ela tá cantando.
- Ela também canta quando tá triste. – uma voz lá no fundo sussurrou.
- É verdade.
- É mesmo. – outras concordaram.
- Se ela tiver dançando, ela não tá triste.
- Mas ela fica triste quando a gente vem pra cá.
- Por que a gente tá aqui?
- Era pra gente ter uma folga.
- Como assim?
- Eu cansei de poemas. – a voz veio do canto esquerdo.
- Eu até gosto dos poemas, mas não suporto as crônicas.
- Por que? Elas são legais...
- Ela nunca decide o que escrever, onde colocar a gente. É um tal de escreve, apaga, escreve, apaga, escreve, apaga. Gosto disso não.
- Nem eu.
- Eu acho isso legal. – outra interrompeu.
- É mesmo. A gente conhecesse vários lugares e tal.
- Prefiro que me deixem num canto só.
- Eu detesto quando ela tenta escrever sem ânimo.
- Mas ela tá dançando ou não?
- Adoro quando ela para e começa a dançar empolgada.
- E depois volta a mexer na gente.
- São diferentes formas de carinho. – uma letra quietinha resolveu dar sua opinião.
- Esse é um bom ponto de vista.
- A gente não concorda 100% entre a gente, é normal ela também ficar confusa.
- Mas não deixa de ser um carinho. – aquela mesma letra insistiu. – Ela dá vida pra gente...
- É mesmo. Qual o sentido de ficarmos aqui, sem formar palavras, textos, etc?
- Da mesma forma, não faz sentido ela não escrever.
- Ela tá dançando ou não? – uma letra disse emburrada.
- Vocês conversam à toa demais! – outra compartilhou o sentimento.
- A gente vai dar uma espiada...

As letras mais curiosas abriram um pouco a caixinha para observar a garota. As demais calaram-se e as acompanharam. O silêncio permaneceu por alguns instantes.

- Ela tá cantando. 
- E dançando.
- Esperando a gente.
- Enquanto imagina uma história.

7 comentários:

  1. Uau, conseguir imaginar tudo, viajei no texto! :)

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  2. Oi, Anna. Legal saber que tu tem blog também. A história do Nano está por aqui ou aqui são contos variados?

    Vamos nos falando... E seguimos escrevendo...:)

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    Respostas
    1. Não... Não tenho coragem de colocar o que escrevo no NaNo em lugar nenhum antes de uma enorme revisão, haha. Coloco mais contos, poemas, crônicas e listas aleatórias mesmo. :))
      Escrever sempre. <3
      Obrigada pelo comentário. :)

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    2. Anna, dá a cara pra bater...:) Eu estou escrevendo a minha história do Nano, e publicando no face poucos segundos depois de ter escrito (algum dia eu vou revisar, claro, mas até lá estou pagando pra ver...hehe)

      Toca ficha aí! :)

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    3. Gente! Hahaha. Não... No NaNo, eu escrevo lixo LITERALMENTE. Vocês não tem noção de como é meus rascunhos. HAHAHA. Não dá pra postar sem uma revisão mesmo que básica... Eu realmente mando meu editor interno pra longe. Sério. rsrs

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