sábado, 17 de maio de 2014

Vamos falar sobre dinheiro, igreja e realidade?

Eu fui a uma livraria cristã no centro da cidade esses dias e sai de lá triste, pois (a) tinha tão pouca opção de ficções com (b) preços não tão acessíveis assim. Comentei sobre isso com um amigo e a coisa toda foi além do que imaginei então resolvi escrever sobre dinheiro, igreja e a realidade além do que é visto na TV, etc.

Falar de dinheiro já deixa as pessoas na defensiva. Não tá fácil pra ninguém e ainda ficam "pedindo dinheiro". Esse receio aumenta bastante quando envolve igreja. Para piorar, há aqueles casos de “pastores que só querem dinheiro”. Sempre vai ter gente oportunista. Não só em igreja, claro. Sempre vai ter um querendo ganhar em cima do outro. Por acaso, ‘capitalismo humanista’ existe?

Vamos abrir os olhos e a mente. Isso é para os cristãos e para aqueles que não pisam nem na calçada de uma igreja. Há muitas coisas que discordo nesse meio, outras tantas que servem somente para tirar o foco do principal. E também há o necessário. Afinal, como pagamos as contas?


Igreja, o prédio em si, precisa de energia elétrica, água, cadeiras, materiais para as crianças, etc. Igreja tem despesas. Tem uma infraestrutura que gera gastos. De quem é a responsabilidade das contas? A igreja é para todos que estão lá então todos tem a responsabilidade de mantê-la limpa, organizada e com as contas em dias. É como uma família. Todos que moram em uma casa tem o dever de deixá-la um ambiente agradável. É assim que deve funcionar. É assim que funciona? Sim. Mas, infelizmente, não todas. Assim como nem todos os lares podem ser chamados de “doce”. A igreja deve ser uma comunidade. O amor tem que ser o principal e não o dinheiro, mas isso não pode ser motivo para ignorar o fato de que precisamos dele. Quem vive, hoje, sem dinheiro?

Também há o trabalho social. Às vezes, há uma pessoa passando dificuldades financeiras e os outros a ajudam da forma que podem: indicando empregos, doando cestas-básicas e outras coisas. E há igrejas que fazem projetos lindos com moradores de ruas, viciados em drogas, missões em países que precisam de ajuda. Sim, a gente usa a Bíblia como base em muitos desses projetos. É o que acreditamos. Da mesma forma, outras religiões ajudam outras pessoas da forma que acreditam, com a crença que possuem.

Cadê o amor?

Cada um tem a fé que quiser, cada um tem uma visão de mundo, cada um faz o que acha certo, cada um segue a verdade que acredita. Ninguém tem que dar pitado na crença de ninguém. Então parem de criticar “dízimos e ofertas”. Isso faz parte da crença dos cristãos. Se é certo ou errado, não cabe a você julgar. Quem dá dízimos e ofertas acredita nisso e ponto. Ninguém é obrigado a dar – até porque o próprio cristianismo prega “dar com alegria e não por obrigação ou necessidade*” (favor, ler 2ª Coríntios 9.7) –.
*Entendo esse “necessidade” por algo parecido com “troca”. Por exemplo: “dá x reais de oferta e Deus vai te abençoar com 3x”. Ai a pessoa vai lá e oferta aquele valor esperando, apenas, o 3x. Oferta e dízimo precisam de fé, por isso você deve dar só se acreditar.

“Ahh, Anna. Mas e aquele povo que dá casa, carro, cheques e ficam endividados por pura pressão psicológica?”

Ninguém é obrigado a dar ofertas e dízimos. E ninguém deve obrigar alguém fazer isso. Aqui entra a parte ridícula dos pastores, bispos e afins que pregam o evangelho da prosperidade de uma maneira absurdamente errada e ilusória. Tem muita igreja grande e conhecida que foca em dinheiro e não faz um uso devido da grana que os fieis depositam no gazofilácio. Isso mancha o cristianismo. Na verdade, o cristianismo já tá mais manchado que não-sei-o-que.

O dinheiro é da igreja e não de quem está atrás do púlpito. Igreja tem os gastos fixos que já citei no texto e, além deles, há as pessoas envolvidas na obra que também precisam de sustento. Há pastores que estão ao serviço da igreja quase 24h por dia. É como se você tivesse um mordomo: ele cuidaria de tudo na casa e receberia um salário, certo? Pastores também tiram seus salários, pois eles também possuem contas pessoais e a igreja é o local de trabalho deles. Mas há muitos casos em que os pastores possuem um trabalho paralelo ao pastorado.

Sei nem definir o sentimento:
nojo, raiva, tristeza? 

O que a igreja ganha deve ser usado em benefício dela própria. É preciso investir na estrutura do prédio, no bem estar dos membros – cadeiras confortáveis, ar condicionado, estacionamento e até mesmo uma fachada bonita –, em projetos sociais e, principalmente, na área infantil (que não tem custos tão baixos assim). Se isso não estiver acontecendo, amigo, tem alguma coisa errada. E, caso a situação não mude, lembre-se: a colheita é de acordo com o plantio. Quem faz da igreja um negócio não fica impune. Tem muitas histórias pra comprovar.

Com certeza, há muito mais coisas envolvidas como, por exemplo, a questão da transparência nos gastos; mas, por enquanto, é só. Se chegou até aqui, me conta: o que te incomoda quando falam “dinheiro” e “igreja” na mesma frase? Se fosse o pastor, como usaria o dinheiro da igreja?

4 comentários:

  1. Excelente. não é qualquer pessoa que tem um posicionamento tão claro quanto o seu. Parabens e continue, você esta no caminho certo.

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  2. Gostei do post, Anna, e super concordo. Hoje em dia essa coisa de "dízimos e ofertas" tá muito distorcida pra alguns, principalmente os que procuram apenas a recompensa, como você falou das igrejas que pregam só prosperidade. É complicado, mas só podemos orar e vigiar os nossos pastores, né? Pra que o dinheiro seja usado da forma correta. :)
    Curti.
    E voltei pro blogger, num novo endereço. Se quiser, passa lá! :)
    http://meusrabiscosedevaneios.blogspot.com.br/

    Beijão!

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    Respostas
    1. Dinheiro é sempre um assunto delicado, rs. Mas não é um bicho de sete cabeças e tal. É até menos complicado do que fazem parecer. Distorcem muito as coisas... :/
      Obrigada pelo comentário, Raquel!!! :)

      Fui lá no seu cantinho. ♥ Escreva muito! rs.
      Beijos!

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